Chorar resolve, nem que seja pelo cansaço, coisas importantes dentro de nós. Ou pelo menos ajuda bastante.
Não sendo a melhor das soluções, na falta dum abraço e dum chocolate quente, é a alternativa que se apresenta.
Chorar as saudades.
É o que faz, literalmente, chorar baba e ranho (pelo menos a mim). Uma torneira de mar salgado em cada saco lacrimal.
Chorar raiva e injustiça.
Com a face quente e vermelha e um nó na garganta que sufoca e parece que quer esmagar o peito oprimido e as veias do pescoço a gritarem mais alto.
Chorar tristeza.
É o que custa mais. Lágrimas lentas, espessas, a correrem com toda a indolência pela cara abaixo, em silêncio, sem se tocarem, até tornarem ao canto da boca e se reciclarem no ciclo da melancolia.
Chorar solidão.
São da mesma composição de todas as outras lágrimas , ou não fosse a solidão filha da tristeza (ou será vice-versa?).
Chorar ausências.
O que nunca teve uma oportunidade de ser criado, como um aborto antes da inseminação.
Chorar uma última vez (...), como num beijo de despedida, e secar os olhos e untar com camadas espessas de ternura cicatrizante o coração que bate, já bate, e como bate (!), e por tanto e tão forte bater arrepanha as cicatrizes mal curadas.
Não chegou a haver tempo para ter saudades das lágrimas, que se elas andarem às turras uma ou outra semana parece apenas que têm umas breves férias, merecidas, por quem está no activo todos os outros dias do ano.
Lembro-me dos sonhos em que voei.
Dos momentos em que fechei os olhos e flutuei ou quando simplesmente cortei o vento, em corrida ou pensamento.
É a inspiração, realidade ou imaginação, que provoca a sensação.
A capacidade de voar está no sentir e no pensar.
Está na beleza, na natureza, no que se ouve, no que se sente.
Na liberdade, na criatividade, no frio ou no quente.
Procura, no pontão voador, o crepitar de sonhos, o despertar de novos voos.
Inspira-te nas formas, nas cores, no rio e no luar e deixa-te levitar.
Comprei uma prenda para mim, fiquei tão contente, havia dois anos que não comprava uns sapatinhos.
Já me disseram que os eurinhos foram bem empregues, que são lindos…
Mas porque estou eu tão contente?
É que o meu pezinho é 33, quando encontro uns sapatitos que me sirvam e confortáveis até me sinto levitar.
Se eu pudesse até dormia com eles.
Não pensem que tenho andado todo este tempo descalcinha, até tenho uma colecçãozinha de sapatos, chinelos, botas e ténis bem jeitosinha.
Estes têm salto alto e sola compensada, costumo andar sempre de calçado raso.
Pareço uma criança com um brinquedo novo.
Estou feliz por ter uns sapatinhos novos, coisinha mais linda.
Uma vez o amor perguntou ao ódio,
- Porque me odeias tanto?!
O ódio respondeu:
- Porque um dia te amei demais.
Mas porquê?
Porque é que o mundo é assim…
Cheio de sofrimento, opressão, morte e crueldade…
Tenho ódio, rancor, repulsa por uma pessoa pela qual desejo não ver mais e até destruir (se eu pudesse).
Assim como o amor, só se odeia o que nos é muito importante. Não há necessidade de dar tanta importância às coisas pelas quais temos raiva, entretanto, para odiar é preciso valorizar, e muito o que odiamos.
Isto é o que penso, e sei que o ódio é um sentimento muito intenso, mas por aquela pessoa não consigo nutrir mais nada.
O olhar de quem odeia é mais penetrante do que o olhar de quem ama.
O ódio tem melhor memória do que o amor.
Honoré de Balzac
Gosto muito de música.
Aos domingos ponho música para se ouvir em toda a casa (a casa é pequena).
Tem de ser portuguesa, faz-me companhia e por vezes consegue tocar-me no coração, depende do meu estado de espírito.
Adoro fado.
Sou fã de Pedro Abrunhosa.
"O mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direcção para a qual nos movemos."
Depois de uma tarde em amena cavaqueira, trocámos alguns conselhos entre nós.
Histórias inacabadas machucam tanto ou mais quanto as histórias comuns.
"Não há pontos finais em histórias inacabadas"…
Há histórias que não têm fim...
Histórias onde os maiores protagonistas não estão fisicamente presentes mas, ainda assim, estão presentes a toda a hora...
Histórias que nos torturam, despedaçam, "sacodem"...mas, ainda assim...nós, teimosamente «sangrando»,
alimentamos a esperança remota de um qualquer arco-íris... que faça recomeçar o último capitulo... da "doentia" história...
Nunca deve haver pontos finais na nossa vida ou em qualquer assunto,
porque o ponto final é o fim e na vida não existem pontos finais mas sim reticências…o único ponto final para a vida é a morte…
Concluímos...
Afinal, dizem, que a esperança é a última a morrer...