"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
Porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."
Eugénio de Andrade
“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”
Antoine de Saint-Exupery
Não te desejo um presente qualquer, desejo-te somente aquilo que a maioria não tem.
Desejo-te tempo, para te divertires e para sorrir, desejo-te tempo para que os obstáculos sejam sempre superados e muitos sucessos comemorados.
Desejo-te tempo, para planear e realizar, não só para ti, mas também para os outros.
Desejo-te tempo, não para teres pressa e correr, desejo-te tempo para te encontrares.
Desejo-te tempo, não só para passar ou vê-lo no relógio, desejo-te tempo, para que fiques.
Tempo para te encantares e tempo para confiares em alguém.
Desejo-te tempo para tocares as estrelas, e tempo para cresceres e amadureceres.
Desejo-te tempo para aprender e acertar, tempo para recomeçar, se fracassares...
Desejo-te tempo também para poder voltar atrás e perdoar.
Desejo-te tempo, para ter novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.
Desejo-te tempo para ser feliz.
Para viver cada dia, cada hora como um presente.
Desejo-te tempo, tempo para a vida.
Desejo-te tempo.
Tempo.
Muito tempo!
"As palavras são como os seres vivos, nascem, crescem, reproduzem-se (só que não morrem) e respondem a estímulos do meio. Elas entram num processo constante de relacionamentos. Podem tomar o rumo que lhe damos mas, por vezes, escolhem o seu próprio caminho. Os livros são o seu meio ambiente, permitem que vivam.
Um livro contém todas as palavras de toda as eras."
António Oliveira
De manhã, de tarde ou de noite; sinto saudades...
Saudades de quando era uma criança, uma criança feliz e sem problemas...
Saudades de quando corria, como se fosse livre...
Saudades de brincar, brincar às escondidas ou à apanhada…
Saudades de quando fazia qualquer coisa e a minha mãe me batia e de quando me dizia que não era assim…
Saudades de ser pequena e de tudo parecer grande, de acreditar que quando fosse crescida tudo era fácil….
Saudades de quando ia a qualquer loja e pedia uma boneca à minha mãe e de quando ela me dizia que não podia e eu me sentia a criança mais infeliz do mundo…
Saudades de brincar com os meus amigos, de cantar e dançar como se não houvesse amanhã…
Saudades do dia em que fui a 1ª vez que fui ao circo, parecia tudo enorme e eu era uma pequena criatura no meio daquele "mundo fantástico" ...
Saudades de quando lia um livro e de quando pensava que a vida era um conto de fadas …
Agora com XX anos, sei que a vida é uma realidade, cruel e fria, que nada é como imaginámos e queríamos e temos que aprender a lidar com ela!
Existem desilusões e também ilusões, mas basta querer-mos e não só para conseguir ultrapassá-las
“ A vida lá no fundo, é linda, mas à maneira de cada um, se sou feliz, não sei, não conheci outra vida”