Fizeste promessas sem fim, tantos sentimentos juravas ter
Tiveste de mim o que querias e no final deixaste-me a sofrer
Depois de tanto ter caido, sem nada poder fazer
Abro uma excepção por ti para me voltar a arrepender
E sem reservas me atirei sempre pensado "agora sim"
Eu ja tinha tão pouco para dar e tu levaste o que restou de mim
Só quando já for tarde demais e nada mais houver a fazer
Abraçado a mim vais querer respirar, mas não mais o irás fazer
E quando sentires que o mundo desabou e só em mim tu vês um porto seguro
Vais lembrar-te da verdade mais pura
Foste tu quem decidiu pelos dois, este futuro
Não serás mais que uma recordação
Um reflexo num espelho que eu não vi
O mesmo espelho que hoje parto
Para de vez esquecer de ti
E sem reservas me atirei sempre pensado "agora sim"
Eu ja tinha tão pouco para dar e tu levaste o que restou de mim
Só quando já for tarde demais e nada mais houver a fazer
Abraçado a mim vais querer respirar, mas não mais o irás fazer
E quando sentires que o mundo desabou e só em mim tu vês um porto seguro
Vais lembrar-te da verdade mais pura
Foste tu quem decidiu pelos dois, este futuro
"Pegadas na areia"
Uma noite eu tive um sonho.
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e, através do céu,
passavam-se cenas da minha vida.
Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia; um era meu e o outro, do Senhor.
Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás,
para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes,
no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e
angustiosos do meu viver. Isso entristeceu-me deveras, e perguntei,
então, ao Senhor: "Senhor, Tu disseste-me que, uma vez que eu
resolvera te seguir, tu andarias sempre comigo em todo o caminho,
mais notei que, durante as maiores tribulações do meu viver, havia na areia
dos caminhos da vida apenas um par de pegadas. Não compreendo
porque, nas horas em que mais necessitava de ti, Tu me deixaste".
O Senhor respondeu-me:
"Meu precioso filho. Eu amo-te e jamais te deixaria nas horas da tua
prova e do teu sofrimento: Quando viste na areia apenas um par de
pegadas, foi exactamente aí que Eu te carreguei nos braços".
By Margaret Fishback Powers
Há Palavras que Nos Beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'
A Morte, esse Lugar-Comum
É trivial a morte e há muito se sabe
fazer - e muito a tempo! - o trivial.
Se não fui eu quem veio no jornal,
foi uma tosse a menos na cidade...
A caminho do verme, uma beldade
— não dirias assim, Gomes Leal? —
vai ser coberta pela mesma cal
que tapa a mais intensa fealdade.
Um crocitar de corvo fica bem
neste anúncio de morte para alguém
que não vê n'alheia sorte a própria sorte...
Mas por que não dizer, com maior nojo,
que um menino saiu do imenso bojo
de sua mãe, para esperar a morte?...
Alexandre O'Neill, in 'Abandono Vigiado'