Viver nunca é fácil – apesar de, por vezes, poder parecer que sim.
É, no entanto, algo que todos nós, de uma maneira ou de outra, de forma mais leve ou mais custosa, temos de ir aprendendo ao longo de todo o tempo que durar a nossa passagem por este mundo.
A aprendizagem só acaba quando chegarmos ao fim dessa caminhada. E, entretanto, há lições que temos de repetir uma série de vezes, mesmo quando achamos que já não seriam necessárias. É que não somos nós que sabemos quando é que uma determinada lição já precisa de ser repetida.
A própria vida é que no-lo vai revelando. A pouco e pouco, por vezes de formo agradável ou suave, mas outras vezes dolorosa ou violenta. Revela-o através do que nos dá ou daquilo que nos tira. Como se nos dissesse: “Aproveita bem o que te estou a proporcionar, precisas disto para ires descobrindo a luz que te permitirá descortinar o teu caminho”.
Ou então : “Tem paciência, isto que te estou a tirar já não te esta a fazer avançar mas, pelo contrario, está a puxar-te para trás, portanto é melhor para ti deixares de o ter.”
Quanto mais atentos estivermos a todos os sinais que a vida nos for dando através de apelos quer interiores quer exteriores que formos tendo – mais usufruímos daquilo que for para o ser e menos deitados abaixo ficamos, pelo que pões em prova a nossa capacidade de aceitação.
É ilusão pensar que nada temos a ver com o que se passa num qualquer lugar longínquo com pessoas que nem conhecemos. Que só os nossos problemas nos dizem respeito.
Da mesma maneira que, como se costuma dizer, quanto mais avançarmos pelos caminhos da vida, mais atalhos nos aparecem pela frente, mais encruzilhadas, eventualmente mais abismos - a obrigarem-nos a um trabalho de discernimento.
E há alturas em que nos sentimos demasiado cansados para esse trabalho.
Por vezes não nos sentimos, somos impotentes, mas é preciso saber até que ponto podemos ir e não pôr a nossa credibilidade em dúvida perante toda a nossa existência.
Nem sempre o nosso coração nos deixa ter credibilidade perante certas decisões, porque confundimos emoções com sentimentos, por vezes vendo o lado alheio que nos subjuga aquilo que queremos para a nossa vida.
Um dia você aprende que...
Não importa em quantos pedaços
Seu coração foi partido
O mundo não para,para que
você o conserte.
Aprendi que o tempo
Não é algo que posso
Voltar pra traz
Portanto sua alma ao
envez de espera
que alguém
lhe traga flores
Você aprende que realmente
pode suportar
que realmente é flores
e que pode ir
muito mais longe
depois de pensar
que não se pode mais
E que realmente a vida
tem valor diante da vida
nossas vidas são traidoras
e nos fazem perdoar
o bem que poderiamos fazer
se não o medo de
TENTAR....
William Shakespeare
Não são a mesma coisa embora, muitas vezes, pensemos que sim. Os sentimentos são mais estáveis e duradouros enquanto as emoções são como os humores. Têm altos e baixos, vão e voltam sem sabermos exatamente como nem porquê.
Os grandes investigadores da alma humana que dedicam o melhor do seu tempo a tentar perceber aquilo que nos move e comove, catalogaram seis emoções universais: o medo, a cólera, a tristeza, a alegria, o desgosto e a surpresa.
Seis emoções, dizem eles, que todos experimentamos ao longo da vida. Todos sem exceção!
Por outras palavras ter emoções é tão vital como respirar.
Ficar triste ou feliz, ter medo ou ter desgosto, apanhar um susto ou uma fúria são sinónimos de ser humano.
São as emoções que nos conduzem aos dois estados afetivos primários: o prazer e a dor.
Talvez por isso, porque nos remetem para aquilo que é verdadeiramente fundamental, somos levados a confundir as emoções com sentimentos.
O amor e o ódio sim, são sentimentos e, enquanto tal, mais estáveis e duradouros. No entender de quem sabe, os sentimentos são “emoções que duram”.
Embora não sejam reconhecidas como emoções universais, existe um sem-número de variantes que me atrevia acrescentar: a angustia, a ansiedade, a saudade, a melancolia, o tédio, o pânico e, mais recentemente, mas revelando-se cada dia mais intenso, o estado de stress.
Aos olhos de quem se aplica a estudar as emoções e os sentimentos talvez seja uma heresia juntar estas emoções, mas será que não são cada vez mais universais?
Antes de falar sobre amizade colorida fui ver a definição da mesma e diz assim:
"Segundo o dicionário Houaiss, amizade colorida é um relacionamento amoroso e sexual, geralmente passageiro, sem compromisso de estabilidade ou fidelidade. Ou seja, é uma espécie de relação aberta em que pode existir uma intimidade física entre as pessoas, bem diferente de uma amizade tradicional — também chamada amizade preto-e-branco".
Nunca entendi nem concordo com o nome dado a uma amizade onde não se criam laços, onde tudo é passageiro, onde não há compromissos e como se isso não bastasse ainda lhe chamam colorida.
Podem chamar-me, talvez retrógrada ou chamem-me o que quiserem, não encaixa neste conceito e aproximações com este objectivo são logo postas a milhas, é como se se tratasse de um produto descartável, serve para hoje porque apetece, amanhã logo se vê, se aparecer outra cor mais florescente troca-se ou alimentam-se duas três ou as que forem possíveis.
Considero-me uma pessoa de mente aberta, mas não tanto que me dê ao luxo de andar a saltitar de cor em cor ao sabor de primaveras camufladas.
Gosto da cor das amizades que crio, daquelas a que erradamente chamam de preto e branco, essas sim, são arco-íris que brilham no meu caminho e cá estou eu para as receber de braços abertos, dedicando-lhes toda a atenção e carinho que merecem e prezando valores que me incutiram sobre o valor de uma verdadeira amizade.
Gosto dos meus amigos, faço tudo por eles, esquecendo-me tantas e tantas vezes de mim, mas sem nunca me anular, nem cometer a loucura de misturar contactos físicos com gestos genuínos, sinceros e que fazem despertar as nossas emoções mais sinceras.
E lembro-me sempre quando penso neste assunto, de um velho ditado: " Se queres perder um amigo vai para a cama com ele."
Posto isto, como não quero perder nenhum dos meus amigos que fui ganhando ao longo dos anos, fico-me pelas palavras, pelos desafabos, pela cumplicidade, pelo saber estar, ouvir e nunca me arrependi de ser assim, pintem lá a amizade com as cores que quiserem, ela para mim não tem cores especiais, é simplesmente incolor, inodora, mas muito gostosa quando verdadeira.
Este texto não é todo meu, mas é tudo aquilo que eu penso sobre esta matéria.
Parabéns Maria.
Há dias assim ...
Hoje estou assim ... bem no fundo ... nem o sol e o calor me consolam ...

Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
(Pablo Neruda)