Evoluir enquanto pessoas, enquanto parceiros, enquanto humanos.
E num respirar fundo, aceitar com serenidade o que o futuro, o que o destino nos oferece!
E quando aprendemos a ver as diferenças entre as nossas convicções e aquilo em que realmente se tornou a nossa vida, quando reconhecemos que não podemos controlar tudo, e adquirimos a capacidade de aceitar, vamos percebendo a pouco e pouco, que estamos exactamente onde devíamos estar e que somos exactamente quem deveríamos ser.
Percebemos que os medos que temos fazem parte, e que com a experiência, adquirimos a capacidade de ver que eles vão continuar lá, sempre, mas cada vez mais pequeninos, mais controlados, menos donos de nós...ou então não, o medo faz de nós prisioneiros e torna-nos reféns de nós mesmos e de tudo em que sempre acreditámos!
E continuará a haver aqueles dias em que a saudade do passado aperta bem lá no fundo, mas com as cabeças erguidas e os corações abertos, saberemos soltar um sorriso ao recordá-lo, deixando que as lágrimas sejam de orgulho por tudo o que percorremos, que vencemos, que crescemos, mas principalmente por tudo o que somos e por tudo o que alcançamos, com mais ou com menos esforço e dedicação.
E será sempre assim.
Quer gostemos ou não, quer tenhamos a sensação de que um pedaço de nós nos é arrancado com cada mudança que sofremos, com cada desilusão com que nos deparamos, com cada ajuste que somos obrigados a fazer...será sempre assim...resta-nos manter a cabeça à superfície, e mesmo que sintamos uma dor que nos corta as entranhas, é preciso continuar a respirar!
Sábado encontro de titans na residência abandonada...
... o que será que quer agora ... mas desta vez vou com a mesma companhia ... sempre só ...
... esperemos ...
.... é sempre uma caixinha de pandora que temos para abrir ... quando nos encontramos ...
... as emoções são tantas e tão boas ... que acabamos sempre abraçados e com tudo muito bem resolvido ...
Hoje quando o meu despertador tocou às 6h e 50m, estava a sonhar, não percebi nada daquela confusão, mas ficou a fazer-me confusão não perceber o que se estava a passar.
Eu não fazia parte do evento e vi pessoas que já cá não estão.
Tudo tão apressado, muito vento.
Vi uma pessoa vestida com uma farda que acho que não chego a ver, só se houver vida para além da morte.
Tudo tão confuso, e eu não tinha uma roupinha para vestir...
Muito vento numa arriba com o mar ao fundo muito revolto e a farda voava, voava ...
Não gostei nada do que sonhei, hoje tenho a cabeça meio tonta ...
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Foi este que eu fui ver...![]()
Desespero
Não eram meus os olhos que te olharam
Nem este corpo exausto que despi
Nem os lábios sedentos que poisaram
No mais secreto do que existe em ti.
Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Mais que os vícios que um dia me geraram
E me perseguem desde que nasci.
Não fui eu que te quis. E não sou eu
Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,
Possesso desta raiva que me deu.
A grande solidão que de ti espero.
A voz com que te chamo é o desencanto
E o esperma que te dou, o desespero.
Ary dos Santos, in 'Liturgia do Sangue'
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